Caça à Baleia nas Praias do Matadeiro e da Armação.

Durante os séculos XVIII e XIX, as praias da Armação e do Matadeiro, no sul da Ilha de Santa Catarina, foram palco de uma atividade que marcou profundamente a história da região: a caça à baleia. 

 

Durante os séculos XVIII e XIX, as praias da Armação e do Matadeiro, no sul da Ilha de Santa Catarina, foram palco de uma atividade que marcou profundamente a história da região: a caça à baleia. 

Essa prática começou com a instalação da chamada Armação Baleeira, uma estrutura organizada pelo governo português para capturar baleias e aproveitar ao máximo seus produtos. O nome “Armação” vem justamente desse complexo, que incluía oficinas, fornos para derreter gordura, depósitos, moradias e até uma capela. Tudo girava em torno de um objetivo: extrair o óleo de baleia, que era usado como combustível para iluminação pública, na construção civil (em argamassas), sabão, entre outros usos. 

A espécie mais comum capturada era a baleia-franca-austral, que vinha das águas geladas do Sul todos os anos para se reproduzir nas baías calmas e quentes do litoral. Como nadava devagar e se aproximava bastante da costa, era o alvo ideal dos baleeiros. Também eram caçadas baleias-jubarte, embora em menor quantidade. 

 A captura era feita em barcos a remo e vela, chamados de baleeiras. Cada embarcação levava cerca de oito homens: seis remeiros, um timoneiro e um arpoador — o responsável por lançar o arpão. Quando uma baleia era avistada, os barcos a cercavam e o arpoador lançava o ferro preso por uma corda. A luta podia durar horas. Depois, o animal era rebocado até a beira da praia — em muitos casos, para a enseada que hoje conhecemos como Praia do Matadeiro (nome que vem justamente desse momento de “matança”). 

Ilustração-caça-baleia-sul-florianopolis

 Na areia, a baleia era cortada em pedaços e sua gordura derretida nos fornos da Armação. Nada se perdia: o óleo era armazenado em barris, as barbatanas vendidas para a Europa e até os ossos podiam ser reaproveitadas. A carne, geralmente, era consumida por pessoas escravizadas que trabalhavam no local. 

Com o passar do tempo, a atividade entrou em declínio. O número de baleias diminuiu drasticamente e novas fontes de energia tornaram o óleo obsoleto. A última caça registrada no litoral catarinense foi em 1973. 

Hoje, a história da caça à baleia permanece viva na memória local. As ruínas da antiga armação ainda podem ser vistas, e o nome das praias conta essa história. A boa notícia é que as baleias voltaram: entre os meses de julho e outubro, é possível vê-las passando pela costa — agora livres, protegidas e celebradas por moradores e visitantes. 

Psicóloga Giselle Dechen - Campeche - Rio Tavares - Multi Open Shopping
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