As Histórias do Sul da Ilha de Santa Catarina Avenida Pequeno Príncipe: a antiga pista de pouso de Saint-Exupéry
Pouca gente imagina, mas quando você anda na Avenida Pequeno Príncipe, no Campeche, está pisando — ou dirigindo — sobre história. Literalmente.
Entre as décadas de 1920 e 1940, aviões franceses da Aéropostale, uma das primeiras companhias aéreas do mundo, pousavam aqui mesmo, no sul da Ilha de Santa Catarina. O bairro do Campeche abrigou um campo de pouso improvisado, de terra batida, onde pilotos pioneiros — entre eles o escritor Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe — faziam escala em suas rotas entre a Europa e a América do Sul.
A pista principal seguia quase exatamente o traçado da atual Avenida Pequeno Príncipe. Já a Rua Auroreal, que cruza o bairro, era uma das estradas laterais por onde se desviava do campo de aviação. A história ficou escondida sob o asfalto, mas permanece viva na memória dos moradores antigos e de iniciativas culturais locais.
Um pouso no fim do mundo
Naquela época, o Campeche era uma área isolada, de pescadores e campos abertos. Não havia infraestrutura, mas havia algo essencial: espaço. A planície à beira-mar oferecia condições ideais para pousos e decolagens dos pequenos aviões a hélice. Os próprios moradores ajudavam a manter a pista. Muitos lembram de ter recebido, em troca, pão francês, chocolate e até objetos vindos da França — um encanto num tempo sem estrada asfaltada nem energia elétrica.
Saint-Exupéry ficou encantado com o lugar. Há quem diga que ele começou a imaginar seu pequeno príncipe ali, entre os ventos do Atlântico e as noites estreladas do sul da ilha.
Um pouso no fim do mundo
Naquela época, o Campeche era uma área isolada, de pescadores e campos abertos. Não havia infraestrutura, mas havia algo essencial: espaço. A planície à beira-mar oferecia condições ideais para pousos e decolagens dos pequenos aviões a hélice. Os próprios moradores ajudavam a manter a pista. Muitos lembram de ter recebido, em troca, pão francês, chocolate e até objetos vindos da França — um encanto num tempo sem estrada asfaltada nem energia elétrica.
Saint-Exupéry ficou encantado com o lugar. Há quem diga que ele começou a imaginar seu pequeno príncipe ali, entre os ventos do Atlântico e as noites estreladas do sul da ilha.
Da terra batida ao parque cultural
Com o fim das operações da Aéropostale e o avanço da urbanização, a pista desapareceu. Mas não a sua memória. O Parque Cultural do Campeche (PACUCA), criado por moradores e ativistas culturais, mantém viva essa história. O parque é um espaço de convivência e resistência — oferece atividades culturais, oficinas, feiras e encontros comunitários. E ali também se conta a história da aviação, do bairro e de um tempo em que aviões cortavam os céus trazendo cartas, esperança e poesia.
Um convite à memória
Hoje, a Avenida Pequeno Príncipe é uma das principais vias do sul da ilha. Temos o monumento da Aéropostale, na esquina com a rua da Capela, com o mapa da indicação do campo e informações referente a história.
E se você passar por ali com um pouco de imaginação, talvez consiga ouvir, no fundo da memória, o som de um avião antigo tocando o solo. E quem sabe, ao dobrar uma esquina, encontrar um certo principezinho de cabelos dourados olhando o mar.
Quer saber mais?
Visite o PACUCA – Parque Cultural do Campeche
Explore a história da Aéropostale e de Saint-Exupéry no sul do Brasil
Caminhe pelas ruas do Campeche com os antigos moradores: a memória está viva em cada esquina do bairro.


